Criações

2018 | ABAIXO O AEROPORTO EN RIANXO

Nos confíns de Rianxo está radicada a máis pequena comunidade portuguesa de todo Galiza, da cal o Goberno Portugués posiblemente nunca escoitou falar. Ti Abílio hai moito que escoita mal, di que foi da fame que pasou de máis novo. Zé Bidão é bailador de bailes de salón no seu tempo libre e vive de facer pequenos amaños de vez en cando. O romanés Yuran, traballador ilegal en España, fala mal a lingua de Cervantes, pero entende ben a preguiza de Zé Bidão. El veuse para Galiza á procura de fortuna e vese metido na maior allada da súa vida cando Ti Abílio inocentemente entende que o aeroporto ía ser construído en Rianxo. A noticia corre rápido pola vila.

A partir de aquí, Zé Bidão pasa de dedicarse a facer chambonadas a enxeñeiro do aeroporto. Así como comeza a difundirse a noticia, tiran abaixo a idea do aeroporto de Rianxo: un político de Lisboa aproveitase da situación transfronteiriza, argumentando que alí non pode ser construído, xa que Rianxo atópase no medio dunha ruta migratoria de aves, en especial de rulas turcas. A policía é chamada para que interveña xa que hai un motín liderado por María das Dores, nai solteira que aproveita a presenza dunha canle televisiva sensacionalista de Madrid


2017 | A BODA DOS RABUDOS

A “Boda dos Rabudos” é um resgate financeiro familiar forjado pelo astuto do Romão Rabudo. A filha a estudar em Lisboa engravidou, o namoro com um político da capital parecia abafar a vergonha na aldeia, se não tivesse sido o marialva da terra, o Tone Rola, a bulir na moça! Diz o ditado “Quem parte e reparte e não fica com a maior parte, ou é tolo ou não tem arte” e o Rabudo velho engendra um plano: casar a rapariga, descasar, voltar a casar e alguém pagar o padre, o sacristão e a boda! O resgate funciona às mil maravilhas, o cheque ao portador é passado, mas o pior é mesmo o número de credores para dividir quantia.


2016 | [teatro de rua] O AUTO DOS BONS DIABOS EM SÃO MARTINHO DE BALUGÃES

Feito na terra batida, na terra dos nossos antepassados, no terreiro do Ti João Carvalhosa, fervoroso festeiro de São Martinho. Há muito que São Martinho não tinha uma festa assim, daquelas que só o Minho tem e mais ninguém.

Ó Laurindinha, que saudades que já tenho tuas!” – Saudades de uma aldeia que coube inteira no adro e festejou intensamente a vida do Baltazar Diabo! A aldeia das comédias depois das colheitas, a aldeia que teima em não partir e fica, dança, canta, espanta o destino e finta os seus diabos!


2015 | O AUTO DOS BONS DIABOS

– Estou a ficar velho, mas hei-de morrer a cavar a terra, ou nas tábuas do palco,
Ela já mo disse, ó homem cava já o buraco que com as tábuas do teatro faz-se o caixote e assim não se gasta dinheiro com o funeral”.

Este é o relato de um artista de teatro popular que se desdobra em histórias e personagens dessa mesma história, do desaparecimento do mundo rural, da festa feita nas terras pelas gentes que contavam apaixonadamente as suas crenças, tradições e costumes, de uma certa ideia de progresso que não serve homens nem comunidades.

Baltazar Diabo e a sua companhia são últimos resistentes do que resta de um vale outrora rural, esvaziado em grande parte pela fuga para as cidades, vilas e estrangeiro. Aqui habitam histórias de resiliência e sobrevivência, onde a cultura popular de gerações resiste nas mãos de um punhado de artistas anónimos.


2013 | [teatro de rua] ABAIXO O TGB SÃO MARTINHO DE BALUGÃES – SANTIAGO DE COMPOSTELA

Chalana, Presidente da Casa do Benfica, há muito que desconfiava de tanta gente a pé a caminho de Santiago e ninguém aproveita o filão turístico, engendrou que as setas amarelas, eram as limitações para as expropriações dos terrenos de uma mirabolante linha de TGV versada numa conversa de café! O progresso era um apeadeiro na terra, único no Minho para excursões a Santiago de Compostela. Em Agosto de 2013, o Teatro de Balugas levou à cena a reposição da peça “Abaixo o TGB Madrid-Balugães” numa adaptação intitulada “Abaixo o TGB São Martinho de Balugães – Santiago de Compostela”, um espetáculo de teatro de rua num dos emblemáticos lugares da aldeia – a Igreja Românica de São Martinho de Balugães.


2012 | ÉROPORTO EM BALUGÃES?! JAMÉ

Com o Governo ao deus-dará houve alguém no Terreiro do Paço que estrategicamente autorizou uma nova opção e adjudicou a empreitada mirabolante de arquitetar um “éroporto” novamente ao mestre-de-obras Zé Bidão, engenheiro encartado de várias especialidades pelas equivalências tidas na primeira tentativa da construção do éroporto de Balugães. O romeno Yuran está mais gordo e preguiçoso, e juntos, sobem ao palco para a reposição da primeira comédia militante do Teatro de Balugas.


 

2011 | ABAIXO O TGB MADRID-BALUGÃES

A história começa com o trampolineiro Chalana, presidente da Casa do Benfica de Balugães e conhecido em tempos idos pelos dotes futebolísticos comparáveis aos do ídolo. No lugar do Cruzeiro, todos os anos por altura do São João, organiza uma festa popular onde a cabeça de cartaz é a grande pega de touros protagonizada pelos sócios da casa do glorioso! Este ano, além do peso do touro, do forcado da cara, há um rabo de saias, a trintona Vitória é disputada por dois solteirões dos forcados amadores.

Após uma conturbada noite de S. João, o dia amanhece com o cruzeiro cheio de bugiganga rapinada pela rapaziada cumprindo a tradição da noite do santo popular, e aqui acontece o inesperado, o aparecimento de uma passagem aérea metálica tapando o Cruzeiro e a fachada da Casa do Benfica. Surgem as mais controversas versões, mas por linhas travessas, chega a confirmação de Lisboa, a Linha do TGV a partir de Madrid faz paragem em Balugães, sendo o Cruzeiro e a Casa do Benfica para demolir, a notícia origina um debate em directo na televisão e os primeiros culpados são o Governo, o Benfica, o FMI e a trintona Vitória.


2010 | LISBOA QUER PORTAJAR BALUGÃES

À custa de uma suposta e inventiva amizade com gente deveras importante de Lisboa, Zé Fitas consegue uma portagem para Balugães! A aldeia, embevecida com a chegada de tamanha novidade, celebra com grande festa e foguetório à mistura.

Zé Fitas, auto-intitula-se chefe da portagem e portaja tudo o que lá passa. Ti João, velho jornaleiro de toda uma vida, munido do único veiculo que tem – o carrinho de mão – é impedido de transpor a portagem. O portageiro apresenta-lhe um valor de passagem superior à reforma do velho e o Ti João fica ainda mais furioso quando o portageiro lhe diz – Se não puder, pague em prestações!

São mil e uma engenhosas aldrabices, onde Zé Fitas tenta fintar o destino de pobre nascido e o povo se vê a braços com uma portagem que se transforma numa muralha intransponível! Descoberto o engano, a portagem é recolhida e Zé Fitas, novamente desempregado, lamenta que Lisboa não premeie a sua capacidade de criar emprego próprio e a iniciativa económico-privada de portajar Balugães.


2009 | PITRÓLEO EM BALUGÃES

Zé pediu em casamento a rapariga mais rica da aldeia. Porém, o pai dela, contra tal ousadia do maior pelintra da aldeia e arredores, impõe-lhe um dote de 1000 euros. Zé da Leira de Cima, como é conhecido, com a ajuda do sobrinho e de Jeremias, lá vai enganando o povo e especialmente Ti Manel da Leira de Baixo, um velho ganancioso, que acaba sempre burlado pelos negócios “internacionais” do Zé. Entre um milho importado da França e semente de batata comprada na América, lá vai juntando um pé-de-meia para o casamento, mas não chega. Decide então “vender” a uns árabes, um poço de petróleo que diz ter encontrado na sua leira.

Ti Manel, apercebendo-se do facto de existir tamanha riqueza paredes meias com a sua leira, oferece toda a sua fortuna para poder ficar com o poço de petróleo. Os árabes aparecem para fechar o negócio, mas também, uma segunda noiva e um marido enfurecido que, cego de amores e de dinheiro, passa a ser o grande accionista da petrolífera baluganense.

É o conto do vigário na mais engenhosa imaginação popular portuguesa, sem colarinhos brancos ou contas no estrangeiro. Ninguém vai preso, mas o velho Ti Manel faz juras que o poço amanhã mesmo o tapa e assim acaba-se o pitróleo em Balugães, mais o milho francês e as batatas americanas!


2008 | O ÉROPORTO DE BALUGÃES

Balugães é uma aldeia remota do Minho, da qual o Primeiro-Ministro nunca deve ter ouvido falar. Ti Abílio também nunca deve ter ouvido falar do Primeiro-Ministro e há muito que ouve mal, diz que foi da fome que passou! Zé Bidão é cantoneiro nas horas vagas e biscateiro de profissão. O romeno Yuran, ilegalmente a trabalhar em Portugal, fala mal a língua de Camões, mas entende bem a preguiça de Zé Bidão. Veio à procura de fortuna e vê-se metido na maior alhada da sua vida, quando Ti Abílio inocentemente entendeu que ia ser ali o éroporto e a notícia correu rápido.

A partir daqui, Zé Bidão de cantoneiro passa a engenheiro do aeroporto. Como rapidamente surge a notícia, rapidamente cai também por terra o éroporto de Balugães, o esboço de um político da capital que se aproveita da situação, argumentando que ali não pode ser construído, devido um corredor aéreo da avifauna, em especial de rolas turcas. A polícia é chamada a intervir, há um motim originado por Maria das Dores, mãe solteira que aproveita a presença de um canal televisivo sensacionalista para protestar por tudo, menos contra o aeroporto.


2008 | CASAMENTO DO REPUBLICANO DE BALUGÃES EM 1910

Hei-de casar! Nem que seja ao abrigo da República! – Gritava enfurecido, Tomás Ortigão, mais conhecido por Camões, para quem a Monarquia tinha os dias contados! O abade Alberto, é que não ia cantigas, e sempre condenou o Camões por ser um Republicano e agora era tempo de ajustar contas. Há apenas um segredo, Rosa Maria, criada do abade, é a noiva de Tomás, seduzida pelos encantos do Republicano!

A par desta luta de monarcas e republicanos, há o Carlinhos, acólito e tocador de sino, que guarda o sonho de um dia ser fadista!


2007 | UM MÉDICO À RASCA

O povo habituado a tratar das suas maleitas com mezinhas e curandices, vê abrir na aldeia, o consultório do Senhor Doutor. Desde dores de dentes até às dores de barriga, o povo acorre aos cuidados do jovem médico, que, ao instalar-se na província, não esperava por tamanha afluência de doenças difíceis de decifrar nos sintomas apresentados pelos doentes que julgam o médico, um curandeiro dos sete ofícios. Para ajudar a tamanha empreitada, existe o criado do Senhor Doutor, auxiliar e aprendiz de medicina por conta própria nas horas vagas. É certo e sabido que a polícia interveio para colocar ordem nesta algazarra e diagnósticos do criado, aos quais o médico vai ter de responder.


 

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